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Metalcore deixa o nicho e mostra sua força no Rock in Rio 2026

Chris Wescley

Bring Me The Horizon e Bad Omens ocuparam alguns dos principais horários do festival e mostraram como uma geração que nasceu no metalcore passou a disputar o centro do rock mundial.

Bring Me The Horizon e Bad Omens representam a força do metalcore no Rock in Rio 2026
Foto: Reprodução: Globoplay

Por muito tempo, o metalcore foi tratado como um gênero restrito a festivais especializados, casas menores e a um público muito específico. Breakdowns, vocais guturais e a mistura entre hardcore e metal pareciam incompatíveis com os maiores palcos da música popular.

O Rock in Rio 2026 mostrou que essa realidade mudou.

No dia 5 de setembro, o Bring Me The Horizon ocupou o penúltimo horário do Palco Mundo, imediatamente antes do headliner Avenged Sevenfold, enquanto o Bad Omens encerrou o Palco Sunset. Dois nomes diretamente ligados ao metalcore receberam posições que, anos atrás, dificilmente seriam destinadas a bandas vindas dessa cena.

Mais do que uma escolha de line-up, a resposta do público mostrou que existe uma mudança acontecendo dentro do próprio rock.

Bring Me The Horizon mostrou que já tem tamanho de headliner

Bring Me The Horizon e Bad Omens representam a força do metalcore no Rock in Rio 2026
Foto: Reprodução: Multishow

Talvez nenhum grupo represente melhor essa transformação que o Bring Me The Horizon.

A banda começou nos anos 2000 tocando deathcore, passou pelo metalcore e, ao longo de duas décadas, incorporou eletrônico, pop, industrial, nu metal, hardcore e música alternativa sem abandonar completamente o peso que construiu sua identidade.

Hoje, o próprio Rock in Rio apresenta o BMTH como uma das bandas mais influentes do rock contemporâneo. O grupo reúne mais de 13 milhões de ouvintes mensais no Spotify e ultrapassa 3 bilhões de visualizações no YouTube, números que ajudam a mostrar o quanto aquela banda que surgiu no underground deixou de ocupar apenas esse espaço.

No Rock in Rio, isso ficou ainda mais evidente.

O show de sábado provocou rodas, gritos e uma enorme interação com Oli Sykes no Palco Mundo. O Omelete chegou a classificar a apresentação como o melhor show da edição até aquele momento, destacando a reação da plateia e a capacidade da banda de controlar um público daquele tamanho.

A Billboard Brasil foi pelo mesmo caminho: apesar de não ter sido escalado como atração principal, avaliou que o Bring Me The Horizon poderia tranquilamente ocupar a posição de headliner.

Esse talvez seja o maior símbolo da força atual do gênero. Uma banda que ajudou a definir o metalcore de uma geração agora não está apenas participando de um dos maiores festivais do mundo. Está demonstrando que pode fechá-lo.

Bad Omens representa a geração seguinte

Bring Me The Horizon e Bad Omens representam a força do metalcore no Rock in Rio 2026
Foto: Reprodução: Globoplay

Se o Bring Me The Horizon abriu muitas dessas portas, o Bad Omens mostra o que aconteceu com a geração que veio depois.

A própria descrição oficial do Rock in Rio reconhece que a banda nasceu dentro do metalcore, mas evoluiu para um espaço que mistura rock alternativo, dark-pop e música eletrônica.

Essa expansão sonora foi fundamental para transformar músicas como “Just Pretend”, “Like a Villain” e “THE DEATH OF PEACE OF MIND” em sucessos muito maiores do que o público tradicional do gênero.

A Kerrang! descreveu o Bad Omens como um dos principais nomes de uma leva de bandas de metalcore e derivados que conseguiram romper as fronteiras da cena nos últimos anos, ao lado de grupos como Spiritbox, Dayseeker e I Prevail.

No Rock in Rio, essa evolução levou a banda diretamente ao posto de headliner do Palco Sunset.

E a resposta veio do público. Em votação realizada pela Billboard Brasil para escolher a melhor apresentação do Sunset no segundo dia, o Bad Omens ficou em primeiro lugar, com 35% dos votos, à frente de Black Pantera com Nervosa, Poppy e Malvada com Day Limns.

Não estamos mais falando de uma banda de metalcore ocupando um pequeno espaço dentro de um festival generalista. Estamos falando de uma banda dessa geração encerrando um dos principais palcos do Rock in Rio.

O metalcore mudou — e foi justamente isso que o fortaleceu

Parte dessa ascensão aconteceu porque o próprio metalcore deixou de seguir uma fórmula tão rígida.

O gênero continua carregando guitarras pesadas, breakdowns e vocais extremos, mas algumas das bandas mais populares dessa geração passaram a misturar esses elementos com pop, eletrônico, industrial, hip-hop, shoegaze e música alternativa.

O resultado é uma cena em que Bring Me The Horizon, Bad Omens, Spiritbox, Sleep Token, Loathe e outros nomes podem compartilhar parte do mesmo público sem necessariamente soarem iguais.

Ao comentar o cenário atual, Dani Winter-Bates, do Bury Tomorrow, destacou justamente essa individualidade: bandas que tradicionalmente seriam colocadas sob uma classificação semelhante agora constroem identidades muito próprias, algo que, segundo ele, está trazendo novos fãs e mantendo a cena saudável.

O metalcore não cresceu porque ficou mais simples. Cresceu porque aprendeu a expandir suas fronteiras.

O dia 5 do Rock in Rio mostrou diferentes gerações do peso juntas

Bring Me The Horizon e Bad Omens representam a força do metalcore no Rock in Rio 2026
Foto: Reprodução: Multishow

O line-up do dia 5 também ajudou a colocar essa transformação em perspectiva.

No Palco Mundo estavam Sepultura, mgk, Bring Me The Horizon e Avenged Sevenfold. No Sunset, o público recebeu Malvada com Day Limns, Black Pantera com Nervosa, Poppy e Bad Omens.

Nem todos esses artistas são metalcore — e esse é justamente um ponto importante.

O festival colocou lado a lado o legado de nomes como Sepultura, uma geração que transformou o metal nos anos 1990; o Avenged Sevenfold, que cresceu na explosão do metalcore dos anos 2000 antes de ampliar sua própria sonoridade; o Bring Me The Horizon, responsável por empurrar essas barreiras ainda mais longe; e o Bad Omens, representante de uma geração que já nasceu em um ambiente onde peso e música pop podem coexistir.

Poppy adicionou ainda outra camada a esse cenário, misturando metal industrial, rock alternativo, pop experimental e eletrônico. O próprio festival destacou essa dificuldade de enquadrar a artista em apenas um gênero.

A força do rock pesado atual está justamente nessa mistura.

O crescimento não acontece apenas no Rock in Rio

O movimento visto na Cidade do Rock faz parte de uma tendência maior.

Dados divulgados pela Live Nation em 2025 apontaram crescimento de 14% nos concertos de hard rock naquele ano e indicaram que artistas de metal já representavam 13% dos shows realizados em arenas e estádios nos Estados Unidos. Entre os nomes destacados pela empresa estavam justamente Bring Me The Horizon e Bad Omens, além de Sleep Token, Pierce The Veil e outros representantes da nova música pesada.

Nos grandes festivais internacionais, o cenário também mudou. O Louder Than Life de 2025 colocou Bring Me The Horizon, Bad Omens e Sleep Token entre os artistas responsáveis por liderar seus principais palcos, ao lado de nomes históricos como Slayer, Avenged Sevenfold e Deftones.

O que aconteceu no Rock in Rio, portanto, não parece ser uma exceção brasileira.

O metalcore virou uma das portas de entrada para o rock atual

Bring Me The Horizon e Bad Omens representam a força do metalcore no Rock in Rio 2026
Avenged Sevenfold no Rock in Rio (@ALEXWOLOCH)

Existe ainda uma inversão interessante acontecendo.

Durante muito tempo, bandas clássicas eram responsáveis por apresentar jovens ao metal, que depois descobriam cenas mais pesadas. Hoje, para uma parcela do público, Bad Omens, Bring Me The Horizon e Spiritbox são justamente a porta de entrada.

Uma música pode começar com sintetizadores ou um refrão pop e terminar em um breakdown. Uma banda pode viralizar no TikTok e, meses depois, colocar milhares de pessoas dentro de uma roda em um festival.

A ideia de que uma coisa invalida a outra parece cada vez mais distante da maneira como essa geração consome música.

O Rock in Rio 2026 entregou uma fotografia bastante clara desse momento: o metalcore não está tentando conquistar espaço no mainstream. Ele já conquistou.

Quando o Bring Me The Horizon ocupa o Palco Mundo e sai tratado como futuro headliner, enquanto o Bad Omens fecha o Sunset diante de um público que escolheu seu show como um dos destaques do dia, fica difícil continuar tratando essa cena como um nicho.

O metalcore mudou, cresceu e levou uma nova geração junto.

E talvez estejamos vendo apenas o começo.

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#A7X #Avenged Sevenfold #Bad Omens #MGK #Poppy #Sepultura
Redação
Chris Wescley
Criador de conteúdo e um dos responsáveis pela Todo Dia um Rock, portal e comunidade dedicados ao rock, metal e entretenimento. Apaixonado por música, acompanha de perto lançamentos, shows, festivais e os principais acontecimentos da cena, transformando informação em conteúdo direto, acessível e feito para quem vive o rock todos os dias.
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