
Headliner do Palco Sunset, banda de Noah Sebastian percorreu diferentes fases da carreira em um show que misturou metalcore, eletrônica, atmosfera sombria e alguns dos maiores hits do grupo.
O Bad Omens fez sua estreia no Rock in Rio no último sábado, 5 de setembro, encerrando a programação do Palco Sunset em uma das noites mais pesadas da edição de 2026. A banda norte-americana subiu ao palco às 22h50 e encontrou uma Cidade do Rock pronta para acompanhar um grupo que, em poucos anos, deixou de ser apenas uma promessa do metalcore para ocupar posições de destaque em grandes festivais.
O show começou com “Specter”, colocando imediatamente a fase atual do Bad Omens no centro da apresentação. Entre fumaça, iluminação baixa e uma atmosfera quase fantasmagórica, Noah Sebastian iniciou de maneira contida antes de deixar o peso crescer ao longo da música. Logo depois veio “Glass Houses”, do álbum de estreia de 2016, criando um contraste direto entre o metalcore agressivo dos primeiros anos e a sonoridade mais atmosférica que hoje define a banda.
Em apenas duas músicas, o Bad Omens conseguiu mostrar boa parte da transformação que atravessou durante sua primeira década de carreira.
Peso, eletrônica e uma apresentação dividida em atos
Visualmente, o espetáculo foi construído em diferentes blocos. Interlúdios apresentados como “fitas” nos telões separavam partes do repertório, enquanto cores, imagens e iluminação mudavam de acordo com a atmosfera das músicas.
Depois da agressividade de “Glass Houses”, “THE DEATH OF PEACE OF MIND” colocou em primeiro plano a combinação de baixo, eletrônica, silêncio e tensão que mudou o patamar da banda após o lançamento do álbum de mesmo nome em 2022.
A faixa também mostrou uma das principais forças do Bad Omens ao vivo: a capacidade de Noah Sebastian de transitar entre vocais limpos, passagens quase sussurradas e explosões de guturais sem fazer com que esses extremos pareçam pertencer a bandas diferentes.
Essa característica voltou a aparecer em “Dying to Love”, “Nowhere to Go” e principalmente “ARTIFICIAL SUICIDE”, um dos momentos mais agressivos da apresentação.

Bad Omens apresentou nova fase no Brasil
Além dos sucessos já consolidados, o repertório abriu bastante espaço para a fase mais recente da banda.
“Specter”, “Dying to Love”, “Left For Good” e “Impose” fizeram parte do show e mostraram um Bad Omens cada vez menos preocupado em escolher entre metal, música eletrônica ou rock alternativo. A banda parece preferir justamente explorar o contraste entre esses elementos.
Essa evolução também ajuda a explicar por que o grupo chegou ao festival já como atração principal do Sunset, e não em um horário de abertura. O próprio Rock in Rio apresentou o Bad Omens como uma banda que nasceu no metalcore, mas construiu um espaço próprio entre rock alternativo, dark-pop e música eletrônica.
“Just Pretend” transforma o Sunset em coro
Se as músicas novas apontaram para o futuro, foi com o material de “THE DEATH OF PEACE OF MIND” que ficou mais evidente o tamanho alcançado pelo Bad Omens.
Depois de “What It Cost” e “Like a Villain”, chegou “Just Pretend”. Celulares começaram a iluminar a plateia e Noah dividiu o refrão com o público, em um dos momentos mais fortes da estreia da banda no festival.
“Just Pretend” foi fundamental para ampliar o público do Bad Omens muito além da cena metalcore, mas a apresentação no Rio mostrou que o grupo já possui repertório suficiente para não depender apenas de seu maior hit.
Do início pesado de “Glass Houses” às músicas mais recentes, a resposta do público permaneceu presente durante o show.
“Dethrone” encerra o show sem qualquer contenção

Depois da atmosfera mais delicada e eletrônica de “Impose”, o Bad Omens guardou “Dethrone” para o encerramento.
A música trouxe de volta os guturais, as guitarras mais violentas e as rodas na pista, enquanto Noah cobrava ainda mais movimento do público. Foi um final completamente oposto à contenção de alguns dos momentos anteriores — e justamente por isso funcionou tão bem.
O repertório oficial registrado para o show contou com 12 músicas, começando por “Specter” e terminando com “Dethrone”.
Setlist do Bad Omens no Rock in Rio 2026
- Specter
- Glass Houses
- THE DEATH OF PEACE OF MIND
- Dying to Love
- Nowhere to Go
- ARTIFICIAL SUICIDE
- Left For Good
- What It Cost
- Like a Villain
- Just Pretend
- Impose
- Dethrone
Público elege Bad Omens como melhor show do Sunset no dia
A boa recepção também apareceu depois da apresentação. Em votação promovida pela Billboard Brasil para escolher o melhor show do Palco Sunset no segundo dia do festival, o Bad Omens terminou em primeiro lugar com 35% dos votos, seguido por Black Pantera com Nervosa, com 29%, e Poppy, com 26%.
A estreia no Rock in Rio funciona como mais um retrato do momento vivido pela banda. Quase dez anos depois do primeiro álbum, o Bad Omens conseguiu construir uma identidade que ainda preserva suas raízes pesadas, mas já não cabe confortavelmente dentro do rótulo de metalcore.
No Palco Sunset, essa evolução apareceu em pouco mais de uma hora: peso, silêncio, eletrônica, refrões gigantes e brutalidade coexistindo dentro do mesmo show.
