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Oli Sykes defende Macklemore e liga polêmica com Ed Sheeran à mensagem de “Dehumanized”

Chris Wescley

Vocalista do Bring Me The Horizon criticou o poder de grandes conglomerados sobre artistas e relacionou o afastamento de Macklemore da Loop Tour à experiência que viveu após levar bandeiras da Palestina ao palco.


Oli Sykes, vocalista do Bring Me The Horizon, se posicionou diretamente sobre a polêmica envolvendo Macklemore e a turnê de Ed Sheeran. Em publicação feita nos Stories do Instagram, o músico demonstrou apoio ao rapper e afirmou que o episódio representa exatamente o tipo de situação que inspirou Dehumanized, single lançado pelo BMTH neste ano.

Macklemore foi retirado das próximas apresentações da Loop Tour, de Ed Sheeran, depois de usar seus shows no MetLife Stadium, em Nova Jersey, para declarar apoio aos palestinos, dizer “Free Palestine” e apresentar “Hind’s Hall”. Segundo a promotora Messina Touring Group, alguns estádios avisaram que não receberiam a turnê caso o rapper permanecesse na programação. Sheeran afirmou posteriormente que a decisão final de removê-lo não partiu dele.

O episódio provocou uma reação em cadeia: Finneas, Lukas Graham, Aaron Rowe e Beoga, banda que acompanha Sheeran, anunciaram que deixariam a turnê em solidariedade a Macklemore.

Agora, Oli Sykes também entrou publicamente na discussão.

Oli Sykes: “É sobre isso que ‘Dehumanized’ fala”

Ao compartilhar uma publicação da página Big Mouth Rock News sobre o caso, Sykes escreveu:

“Vocês sabem que eu não falo muito sobre nada, mas preciso pelo menos dizer que o que aconteceu com @macklemore é algo muito real. Grandes conglomerados usando seu poder sobre artistas para tentar mantê-los em silêncio, ameaçando tirar seus meios de subsistência. É sobre isso que ‘Dehumanized’ fala.”

A declaração torna a relação entre o caso de Macklemore e a própria experiência de Oli ainda mais direta.

Logo depois, o vocalista publicou outro Story ao som de “Dehumanized”, destacando justamente um dos trechos que sintetizam a mensagem da faixa: “pois empatia é heresia e esperança é uma doença”.

Não foi apenas uma música escolhida ao acaso. Quando lançou “Dehumanized”, Sykes explicou que a composição nasceu de uma situação que ele próprio viveu depois de decidir demonstrar apoio aos palestinos em um dos maiores festivais do Reino Unido.

Bandeiras da Palestina no Reading deram origem a “Dehumanized”

Em agosto de 2025, o Bring Me The Horizon encerrou sua apresentação como headliner do Reading Festival com bandeiras da Palestina no palco durante “Throne”. A cena aconteceu no fim de um dos maiores shows da carreira da banda.

Meses depois, ao explicar a criação de “Dehumanized”, Oli revelou que havia sido alertado de que levantar uma bandeira no palco em reconhecimento à crise humanitária poderia trazer “consequências capazes de encerrar sua carreira”.

Segundo o músico, aquela reação fez com que ele pensasse sobre a forma como pessoas são condicionadas a suprimir a própria humanidade quando demonstrar empatia ameaça interesses profissionais ou financeiros.

Essa experiência virou parte central do conceito de “Dehumanized”.

O clipe utiliza a imagem extrema de um matadouro humano como metáfora para colocar alguém diante de uma situação em que seus valores entram em conflito com sua própria sobrevivência. Sykes explicou na época que a ideia era questionar em qual momento o sofrimento se torna inaceitável e até onde alguém está disposto a defender aquilo em que acredita quando existe algo pessoal em risco.

Com o caso Macklemore, Oli enxergou uma situação semelhante: um artista enfrentando consequências profissionais depois de utilizar o próprio palco para expressar uma posição política.

Por que Macklemore foi retirado da turnê?

Macklemore participou dos shows de 4 e 5 de setembro da Loop Tour no MetLife Stadium, em Nova Jersey.

Durante a primeira apresentação, o rapper falou sobre Gaza e a Cisjordânia ocupada, declarou “Free Palestine” e disse que uma das razões para aceitar fazer a turnê era utilizar estádios daquele tamanho para chamar atenção para a situação dos palestinos.

Após as apresentações, o Israeli American Council lançou uma campanha pedindo que Macklemore fosse retirado da turnê. A organização e outras vozes críticas acusaram o rapper de promover uma mensagem considerada unilateral e apontaram declarações anteriores que classificam como antissemitas. Macklemore rejeita a caracterização e sustenta que suas críticas são dirigidas às ações do governo israelense, não ao povo judeu.

A situação ganhou ainda mais força quando Robert Kraft, proprietário do Gillette Stadium e do New England Patriots, afirmou que não permitiria a apresentação de Macklemore em seu estádio, citando aquilo que considera um histórico de retórica antissemita do músico.

Segundo a Messina Touring Group, outras casas também indicaram que poderiam não receber os shows se Macklemore permanecesse no line-up. A promotora acabou retirando o rapper das datas restantes.

Ed Sheeran diz que tentou impedir a retirada

Com a repercussão, Ed Sheeran afirmou que a decisão não foi sua.

Segundo o cantor, ele tentou intermediar conversas entre Macklemore, promotores, proprietários de estádios e outras partes envolvidas, mas recebeu a informação de que a posição dos locais e da produtora era definitiva.

Sheeran também afirmou preferir que seus shows sejam espaços de união e que não sejam utilizados por ele próprio como plataforma política.

Macklemore, por sua vez, disse ter conversado diversas vezes com Sheeran durante a crise e reconheceu que o cantor estava em uma posição difícil, mas manteve sua decisão de continuar falando publicamente sobre a Palestina.

Outros artistas escolheram sair

A retirada de Macklemore acabou ampliando ainda mais a discussão.

Finneas, Lukas Graham, Aaron Rowe e Beoga abandonaram a turnê depois do episódio. As manifestações dos músicos abordaram temas como liberdade de expressão, solidariedade aos palestinos e o poder de grandes interesses financeiros sobre aquilo que artistas podem dizer em seus palcos.

É justamente esse último ponto que aparece na manifestação de Oli Sykes.

Em vez de direcionar sua publicação diretamente contra Ed Sheeran, o vocalista do BMTH falou em “grandes conglomerados usando seu poder sobre artistas” e ameaçando seus meios de subsistência para mantê-los em silêncio.

A escolha das palavras aproxima diretamente a situação de Macklemore do conceito que Oli já havia apresentado meses antes em “Dehumanized”.

Bring Me The Horizon e Ed Sheeran já trabalharam juntos

O posicionamento também chama atenção pela relação anterior entre Bring Me The Horizon e Ed Sheeran.

Os artistas surpreenderam o público em 2022 ao apresentarem juntos uma versão pesada de “Bad Habits” na abertura do BRIT Awards. A colaboração depois ganhou uma versão oficial de estúdio.

Nada nas publicações recentes de Sykes indica um rompimento pessoal com Sheeran. O alvo explícito de sua crítica são as estruturas empresariais que, segundo ele, conseguem pressionar artistas ameaçando suas carreiras e formas de sustento.

Isso também ajuda a explicar por que Sykes recuperou “Dehumanized” justamente agora.

A música nasceu de uma experiência em que ele afirma ter sido alertado de que uma manifestação de empatia poderia colocar sua carreira em risco. Mais de um ano depois de erguer bandeiras da Palestina no Reading Festival, o vocalista olha para o que aconteceu com Macklemore e enxerga o mesmo conflito entre expressão artística, convicções pessoais e consequências profissionais.

Para Oli, a conexão foi direta: é exatamente sobre isso que “Dehumanized” fala.

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#BMTH #Bring Me The Horizon #Ed Sheeran
Redação
Chris Wescley
Criador de conteúdo e um dos responsáveis pela Todo Dia um Rock, portal e comunidade dedicados ao rock, metal e entretenimento. Apaixonado por música, acompanha de perto lançamentos, shows, festivais e os principais acontecimentos da cena, transformando informação em conteúdo direto, acessível e feito para quem vive o rock todos os dias.
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