A estreia do Hitster como jogo de cartas oficial do Rock in Rio Brasil 2026 terminou com uma resposta acima das expectativas da Asmodee. Durante os sete dias de festival, o público pôde experimentar o jogo na Cidade do Rock e receber um pacote exclusivo desenvolvido para o evento. A procura, principalmente entre as pessoas que utilizaram o gramado para jogar entre um show e outro, chamou a atenção da própria companhia.

Em entrevista ao Todo Dia Um Rock, Ade Ferrari, CMO da Asmodee Brasil, afirmou que a empresa esperava uma boa recepção para a iniciativa, mas foi surpreendida pela dimensão que a experiência ganhou quando deixou o planejamento e chegou efetivamente ao público.
“Vai dizer que não surpreendeu seria absurdo, porque foi a primeira vez que a gente fez algo desse tamanho, num palco desse tamanho”, afirmou Ferrari. Segundo o executivo, a principal descoberta foi perceber na prática a força de uma dinâmica que até então havia sido planejada internamente. “Surpreendeu muito positivamente o quanto as pessoas abraçaram a proposta.”
A movimentação no gramado não aconteceu por acaso. Embora a Asmodee também tenha utilizado a área VIP do Rock in Rio para apresentar o Hitster a profissionais do mercado, influenciadores e formadores de opinião, o espaço ocupado pelo público geral era considerado o principal ponto da estratégia da companhia dentro do festival.
A ideia era aproveitar justamente os períodos entre as apresentações, quando milhares de pessoas permanecem reunidas na Cidade do Rock esperando pelos próximos shows. Em vez de concentrar a experiência em uma estrutura fechada, a empresa buscou fazer o jogo circular pelo próprio festival.
Para Ferrari, os jogos de tabuleiro carregam uma característica que diferentes marcas procuram desenvolver em grandes eventos: a capacidade de colocar pessoas para interagir diretamente umas com as outras.
“Os jogos de tabuleiro têm isso por natureza. Se conectar com as pessoas é a natureza do jogo de tabuleiro”, explicou.
O Hitster foi escolhido para ocupar esse espaço por ter a música como elemento central de sua dinâmica. No jogo, participantes precisam organizar músicas cronologicamente para construir uma linha do tempo musical, utilizando diferentes períodos e estilos como parte das partidas.
Antes de definir o produto que seria levado ao Rock in Rio, a Asmodee também avaliou outros títulos de seu catálogo, incluindo Dixit, Dobble e Azul. A facilidade para compreender rapidamente a proposta do Hitster e sua relação direta com música acabaram pesando na escolha.
Segundo Ferrari, a companhia buscava um produto capaz de ultrapassar o público que já acompanha jogos de tabuleiro e alcançar pessoas que normalmente não estão inseridas nesse universo. O festival passou, dessa forma, a funcionar como uma vitrine para apresentar o hobby a uma audiência mais ampla.
“A gente precisava escolher alguém para começar a furar essa bolha do hobby e ir para públicos mais massivos”, explicou o executivo.
Um dos principais elementos dessa estratégia foi o desenvolvimento de um pack promocional com 20 cartas inéditas, criado especialmente para a parceria com o Rock in Rio. A seleção utiliza músicas relacionadas aos artistas da edição de 2026 e funciona como uma extensão do Hitster.
Durante o festival, entretanto, o pacote assumiu outra função. Em vez de servir apenas como um brinde relacionado à parceria, as cartas permitiram que as pessoas continuassem jogando depois do primeiro contato com a marca.
A intenção era fazer com que a experiência ultrapassasse os limites da Cidade do Rock. Quem recebia o conjunto poderia continuar a partida no gramado, levar as cartas para casa e conhecer parte da dinâmica antes mesmo de adquirir o jogo completo.
O resultado pôde ser observado durante o próprio Rock in Rio, com grupos utilizando as cartas no gramado enquanto aguardavam a programação dos palcos. Para a Asmodee, essa circulação espontânea confirmou uma das principais apostas feitas durante o desenvolvimento da campanha.
E a estratégia não terminou com o último show do festival. Segundo Ferrari, a participação no Rock in Rio funciona como o ponto de partida de uma campanha que continuará até dezembro.
“A ação de Rock in Rio não termina no evento Rock in Rio, ela começa no Rock in Rio”, afirmou.
A partir de agora, a iniciativa continua em lojas participantes e outros pontos de contato da Asmodee pelo país. Estabelecimentos envolvidos na campanha também receberão materiais relacionados ao Hitster e poderão distribuir os packs promocionais, ampliando a experiência para além do Rio de Janeiro.
A estratégia faz parte de um movimento da empresa para ampliar a presença dos jogos de tabuleiro no mercado brasileiro e alcançar públicos que ainda não possuem contato frequente com esse formato de entretenimento.
Para Ferrari, existe espaço para que os jogos sejam incorporados também a experiências de marcas em situações nas quais o público possui períodos de espera ou tempo livre. A lógica é utilizar esse intervalo não apenas para exposição publicitária, mas para criar uma atividade na qual as pessoas efetivamente participem.
A experiência realizada no Rock in Rio também abriu novas possibilidades para a Asmodee avaliar como outros títulos de seu catálogo podem ocupar grandes eventos e colaborar com diferentes marcas. A empresa, no entanto, ainda não detalha quais serão seus próximos projetos nesse formato e indica que mais novidades serão apresentadas em breve.
Depois da primeira experiência em um festival dessa dimensão, o resultado deixa um caminho aberto para a estratégia. No Rock in Rio 2026, o primeiro teste aconteceu justamente no gramado: enquanto milhares de pessoas esperavam pelos próximos artistas, o Hitster transformou parte desse intervalo em uma nova rodada do jogo.
