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Ressonância progressiva: O Renascimento do Dream Theater no Araújo Vianna

Redação São Paulo

No último domingo, 3 de maio, o Auditório Araújo Vianna tornou-se o epicentro do metal progressivo mundial. Porto Alegre, que frequentemente encerra turnês internacionais no Brasil, teve desta vez a honra de inaugurar a nova etapa da jornada do Dream Theater. O show não foi apenas uma apresentação de divulgação do novo disco, Parasomnia (2025); foi uma declaração de soberania técnica e uma celebração emocional de 40 anos de história.

Ressonância progressiva: O Renascimento do Dream Theater no Araújo Vianna I Foto: Sophia Velho
Ressonância progressiva: O Renascimento do Dream Theater no Araújo Vianna I Foto: Sophia Velho

O elemento que pairava no ar antes mesmo da primeira nota era, sem dúvida, o retorno de Mike Portnoy. Após anos de hiato, a química entre o baterista e o núcleo formado por John Petrucci e John Myung parece ter sido restaurada instantaneamente. No palco, a presença de Portnoy não se resume à técnica, que continua impecável, mas à direção artística e à energia que ele injeta no grupo. Ele é o metrónomo não apenas do tempo, mas da alma da banda.

Iniciar um espetáculo tocando um álbum recém-lançado na íntegra é uma aposta arriscada que poucas bandas podem se dar ao luxo de fazer. O Dream Theater, porém, conduziu o primeiro ato com uma maestria que transformou o material inédito em clássicos instantâneos sob as luzes do Araújo Vianna.

A ambientação inspirada no suspense de Alfred Hitchcock preparou o terreno para a entrada triunfal com “In the Arms of Morpheus”. O que se viu a seguir foi um desfile de virtuosismo:

Após um intervalo de 19 minutos, necessário para que o público processasse a densidade do novo material, a banda retornou para uma viagem no tempo. Se o primeiro ato foi sobre o presente e o futuro, o segundo foi um presente para os fãs de longa data.

A sequência “Through My Words” e “Fatal Tragedy” transportou o auditório diretamente para 1999, o ano do clássico Scenes from a Memory. Mas o grande destaque técnico desta metade foi “Take the Time”. A canção, extraída do divisor de águas Images and Words (1992), destacou o baixo inconfundível de John Myung e exigiu o máximo de James LaBrie. Embora o tempo tenha mudado o alcance do vocalista, sua entrega dramática e a cumplicidade de Portnoy nos backing vocals garantiram uma execução emocionante de um dos temas mais difíceis do repertório.

O encerramento foi reservado para a história. A execução completa de “A Change of Seasons” foi um evento por si só. Com quase 25 minutos de duração, a suíte celebrou seu 30º aniversário mostrando-se mais atual do que nunca. Ver a banda transitar pelas diferentes “estações” da composição, da inocência à perda, e finalmente à aceitação, foi uma experiência catártica.

O público de Porto Alegre, conhecido por seu fervor, respondeu com um silêncio reverencial nos momentos delicados de Jordan Rudess e com um coro ensurdecedor nos refrões.

O Dream Theater que se viu no Araújo Vianna é uma banda revigorada. A turnê de 40 anos não é uma despedida, mas um recomeço. Com um setlist invrivel, o quinteto provou que o metal progressivo, quando executado com essa paixão e precisão, continua sendo uma das formas mais elevadas de arte.

Confira fotos do show:

Fotografia: Sophia Velho I Texto: Alessandro Siciliano

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Redação
Redação São Paulo
Jornalista e crítico musical. Escreve sobre rock há mais de uma década.
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