
AO barulho do metal ecoou muito além das grades do Memorial da América Latina no último fim de semana. A edição de 2026 do Bangers Open Air gerou uma onda de indignação entre os moradores da Barra Funda, que relataram um impacto sonoro muito acima do que costumam presenciar em outros eventos no local.
Picos de 80 decibéis e janelas tremendo
Diferente de reclamações genéricas, desta vez os moradores trouxeram dados. O engenheiro ambiental Gabriel Lima Sejismundo relatou à TV Globo que registrou picos de 80 dB em seu apartamento — o limite da ABNT para o horário (19h às 22h) é de 60 dB.
O incômodo físico também foi destaque: moradores afirmaram que lustres e janelas tremeram intensamente devido às baixas frequências do sistema de som. “Tivemos que fechar tudo em um calor de 30°C e, mesmo assim, a casa tremia”, relatou um dos vizinhos. Houve queixas sobre o impacto na saúde de crianças e pets da região.
O impasse com o Memorial
Em nota, a administração do Memorial da América Latina afirmou que acompanhou os shows e que o cronograma foi seguido rigorosamente, com encerramento às 22h, respeitando a legislação vigente.
Essa não é a primeira vez que o festival (ex-Summer Breeze) enfrenta esse problema. Em 2023, a organização já havia sido questionada e alegou que todas as medições oficiais estavam dentro dos padrões legais. Contudo, o aumento de novos condomínios residenciais de alto padrão colados ao Memorial tem transformado o bairro em um campo de batalha judicial e acústico.
Bônus e ônus do entretenimento
Enquanto os moradores se organizam para cobrar fiscalização mais rígida, colunistas da cena rock defendem o festival como um patrimônio cultural e econômico da cidade. O debate agora gira em torno de soluções técnicas, como a revisão do posicionamento dos palcos e o uso de tecnologias que isolem melhor a dispersão sonora para os prédios vizinhos, preservando a experiência dos “bangers” sem expulsar os moradores de suas casas.
Tentativa de flexibilização
Há anos, a prefeitura tenta flexibilizar os limites de ruído para grandes eventos. Em dezembro de 2024, a gestão municipal incluiu alterações no Programa Silêncio Urbano (PSIU) por meio de um “jabuti”, ou seja, foi incluída em um projeto de lei que tratava de outro assunto por meio de uma emenda a pedido do Executivo.
