A Deezer teve sua tecnologia de detecção de músicas geradas por inteligência artificial incluída na lista Melhores Invenções de 2026, publicada pela revista TIME. Anunciada em 15 de outubro, a seleção reúne 300 inovações consideradas relevantes por seu potencial de impacto em diferentes áreas, incluindo inteligência artificial e saúde.

Desenvolvida para identificar faixas integralmente produzidas por IA, a ferramenta da plataforma de streaming permite sinalizar esse tipo de conteúdo e acompanhar seu crescimento no catálogo digital. Segundo a empresa, a tecnologia também contribui para combater fraudes relacionadas à manipulação de reproduções e ampliar a transparência para os ouvintes.
“É uma verdadeira honra para a Deezer ser reconhecida pela TIME”, afirmou Alexis Lanternier, CEO da empresa. O executivo destacou o trabalho da equipe de pesquisa no desenvolvimento de uma solução para monitorar músicas sintéticas e afirmou que a tecnologia permite identificar conteúdos produzidos artificialmente, além de retirá-los das recomendações algorítmicas.
Quase 90 mil faixas geradas por IA por dia
De acordo com a Deezer, a plataforma recebe atualmente quase 90 mil faixas totalmente geradas por inteligência artificial diariamente, volume que representa mais de 50% dos envios totais em dias de pico. A ferramenta de detecção está em operação desde o início de 2025 e, em junho daquele ano, o serviço passou a identificar explicitamente músicas produzidas integralmente por IA em seu catálogo.
Ao longo de 2025, a empresa detectou e identificou mais de 13,4 milhões de faixas geradas por inteligência artificial. A tecnologia é capaz de reconhecer conteúdos produzidos por modelos generativos populares, como Suno e Udio, e pode ser adaptada para identificar materiais criados por outras ferramentas, desde que existam dados relevantes disponíveis para análise.
A Deezer também informou que trabalha no desenvolvimento de sistemas com maior capacidade de generalização, capazes de reconhecer músicas artificiais sem depender de conjuntos específicos de dados de treinamento. A empresa solicitou duas patentes relacionadas à tecnologia em dezembro de 2024, publicadas pelos escritórios de patentes dos Estados Unidos e da União Europeia em junho de 2026.
Além de utilizar o recurso internamente, a plataforma passou a licenciar a tecnologia para outras empresas do setor musical, oferecendo uma ferramenta para identificar conteúdos sintéticos e reduzir oportunidades de fraude.
Combate à fraude e impacto nos royalties
Embora as faixas totalmente produzidas por IA representem entre 1% e 3% das reproduções na Deezer, a empresa afirma que uma parcela significativa desse consumo está associada a atividades fraudulentas. Em 2025, a plataforma identificou que até 85% das reproduções dessas músicas eram fraudulentas, segundo seus levantamentos.
Para enfrentar o problema, a Deezer remove as reproduções identificadas como manipuladas dos cálculos de pagamento de royalties. As faixas integralmente geradas por IA também são excluídas das recomendações algorítmicas e das playlists editoriais da plataforma.
O tema tem impacto sobre a remuneração de artistas, compositores e outros profissionais da indústria musical. Um estudo conduzido pela Confederação Internacional de Sociedades de Autores e Compositores (CISAC) em parceria com a consultoria PMP Strategy estima que quase 25% da receita dos criadores musicais esteja em risco até 2028, o que pode representar perdas de até € 4 bilhões.
Pesquisa aponta demanda por transparência
Em novembro de 2025, a Deezer encomendou à Ipsos uma pesquisa internacional sobre as percepções do público a respeito da música gerada por inteligência artificial. O levantamento ouviu 9 mil pessoas em oito países, incluindo o Brasil, os Estados Unidos, o Canadá, o Reino Unido, a França, os Países Baixos, a Alemanha e o Japão.
Globalmente, 97% dos participantes não conseguiram distinguir músicas totalmente geradas por IA de composições humanas em um teste às cegas. Além disso, 80% defenderam que esse tipo de conteúdo seja claramente identificado, enquanto 73% gostariam de saber quando um serviço de streaming recomenda faixas produzidas integralmente por inteligência artificial. Outros 52% consideraram que essas músicas não deveriam disputar posições nas paradas ao lado de obras criadas por humanos.
No Brasil, 97% dos entrevistados também não conseguiram diferenciar as duas categorias musicais no teste. O levantamento apontou que 73% desejam transparência nas recomendações de faixas totalmente geradas por IA.
O estudo também identificou uma postura de maior abertura do público brasileiro em relação à presença desse conteúdo nas paradas musicais: 52% dos participantes apoiaram a inclusão, embora 34% tenham defendido que as faixas sejam identificadas com um rótulo que informe sua origem artificial. O país também registrou o maior índice de curiosidade sobre o tema entre os mercados pesquisados, com 65% dos entrevistados interessados em IA e 76% afirmando que já ouviram músicas desse tipo ao menos uma vez por curiosidade.
A lista completa das Melhores Invenções de 2026 está disponível no site da revista TIME. Mais informações sobre a tecnologia de detecção estão no site da Deezer para o setor musical.
