Nova música do BMTH foi explicada por Oliver Sykes como uma resposta ao medo de se posicionar diante de uma catástrofe humanitária.

O Bring Me The Horizon lançou “Dehumanized”, faixa inédita que aparece em Count Your Blessings | Repented, regravação comemorativa do álbum de estreia da banda, previsto para chegar em 10 de julho. A música foi escrita e gravada especialmente para o projeto, resgatando a agressividade da fase deathcore do BMTH com uma produção atual.
Mas o peso da faixa não está só na sonoridade. Em um post, Oliver Sykes explicou que a ideia de “Dehumanized” nasceu de um episódio vivido no ano anterior, quando ele teria sido alertado de que levantar pacificamente uma bandeira no palco, em reconhecimento a uma catástrofe humanitária onde crianças estavam sendo mortas, poderia trazer consequências capazes de encerrar sua carreira.
A bandeira em questão era a bandeira da Palestina. O episódio se conecta ao show do Bring Me The Horizon no Reading Festival 2025, quando a banda encerrou a apresentação com bandeiras palestinas no palco durante “Throne”.
No texto, Sykes diz que isso fez ele perceber como as pessoas são condicionadas a suprimir a própria humanidade. A ideia central de “Dehumanized” nasce justamente daí: quando demonstrar empatia passa a ser visto como risco, a sociedade já está profundamente desumanizada.
O vocalista também relacionou o conceito do vídeo ao livro Tender Is the Flesh, da escritora argentina Agustina Bazterrica, uma distopia em que seres humanos são tratados como carne dentro de uma cadeia industrial. A partir dessa inspiração, o clipe leva a metáfora ao extremo: um abatedouro humano totalmente funcional.
A imagem não funciona apenas como choque visual. Ela representa, segundo a leitura proposta por Sykes, uma civilização onde pessoas são processadas, marcadas, exploradas e reduzidas a produto. No post, ele resume a provocação com perguntas diretas: em que ponto o sofrimento se torna inaceitável? Em que momento cada pessoa decide traçar uma linha?
Com “Dehumanized”, o Bring Me The Horizon não está apenas revisitando a brutalidade de Count Your Blessings. A banda usa esse retorno ao som mais extremo para falar sobre Palestina, silêncio, medo de retaliação, empatia e a forma como sociedades modernas aprendem a normalizar o sofrimento quando ele acontece longe o bastante.
Abaixo a explicação traduzida:
O vídeo, na verdade, foi inspirado por um livro que estou lendo agora chamado Tender Is the Flesh. É perturbador pra caralho, leiam se conseguirem, porque […]
[A música] nasceu de um evento que aconteceu no ano passado. Me disseram que levantar pacificamente uma bandeira no palco, em reconhecimento a uma catástrofe humanitária em andamento, onde crianças estavam sendo mortas, muito provavelmente traria consequências capazes de acabar com a minha carreira.
Isso me fez perceber como somos silenciosamente condicionados a reprimir nossa humanidade.
Achamos que somos seres livres e conscientes, quando, na verdade, somos movidos por forças que mal compreendemos.
“Alguns de nós são açougueiros, alguns de nós são cordeiros. Me mandem para o abatedouro, vamos descobrir qual deles eu sou” é o ponto central dessa […]
O abatedouro é uma metáfora para ser colocado em um lugar onde meu próprio sustento está diante de uma execução.
Quando a empatia se torna um ato de anarquia,
você descobre se os seus valores são reais.Eu quero que esse vídeo leve esse tema central à pior conclusão imaginável:
um abatedouro humano totalmente funcional.
Vamos perguntar ao espectador: em que ponto o sofrimento se torna inaceitável para você?
Em que ponto você traça o limite?
Toda vez que somos ensinados a olhar para o outro lado ou ficar quietos, perdemos um pouco mais de quem somos.
Então o abatedouro é uma alegoria para a civilização moderna.
Além disso, muitas das letras fazem referência a esse tipo de cenário.
Serem processados, raspados, marcados, engravidados, criados etc. — até onde conseguirmos levar essa merda, de qualquer forma haha.
Então seguimos um personagem ou um grupo deles.
[A multidão parece] como se tivesse sido raspada, então todo mundo está careca e marcado com códigos de barras etc. […]
