Abrir um festival do tamanho do Monsters of Rock exige mais do que presença de palco. Exige personalidade, leitura de público e capacidade de transformar um espaço ainda em formação em um ambiente vivo. Foi exatamente esse desafio que a banda britânica Jayler encarou na edição de 2026, em São Paulo.

Com parte da plateia ainda chegando e se acomodando, o quarteto encontrou um cenário típico de abertura. Mesmo assim, desde os primeiros acordes, ficou evidente que havia algo além do protocolo de início de evento. A Jayler conseguiu criar conexão imediata com quem já estava presente, transformando um momento de transição em um show que se sustentou por mérito próprio.
Formada em 2022, na região de West Midlands, no Reino Unido, a banda é composta por James Bartholomew nos vocais, Tyler Arrowsmith na guitarra, Ed Evans na bateria e Ricky Hodgkiss no baixo. Em pouco tempo de atividade, o grupo passou a chamar atenção nas redes sociais, especialmente no Instagram e no TikTok, onde vídeos ao vivo viralizaram rapidamente. O principal motivo da repercussão é inevitável: a forte semelhança estética e sonora com o Led Zeppelin.
A comparação, que poderia funcionar como um peso para muitos artistas, aparece aqui como um ponto de partida. A Jayler não esconde suas referências, mas também não se limita a reproduzi-las de forma mecânica. Existe um cuidado em construir identidade dentro desse universo clássico do rock dos anos 70.
No palco do festival, essa proposta ficou ainda mais evidente. O vocal de James Bartholomew carrega timbres que remetem diretamente a grandes nomes do passado, enquanto a guitarra de Tyler Arrowsmith aposta em riffs diretos e solos que dialogam com o hard rock mais tradicional. A base formada por Evans e Hodgkiss sustenta tudo com precisão, garantindo peso e consistência.
O repertório trouxe faixas como *“Riverboat Queen”, *“No Woman”*, *“Lovemaker”* e “Over the Mountain”, músicas que ajudam a construir a identidade da banda dentro desse resgate do rock clássico. *Mesmo para quem ainda estava conhecendo o grupo, a resposta foi imediata, com movimentos tímidos que rapidamente se transformaram em envolvimento real.
Um dos pontos mais interessantes da apresentação foi o contraste entre imagem e execução. A Jayler ainda carrega um ar de juventude evidente, algo natural para uma banda com poucos anos de estrada. Ao mesmo tempo, a forma como conduzem o show revela maturidade acima da média. Há controle de dinâmica, consciência de palco e uma leitura clara do momento em que estão inseridos.
Esse equilíbrio entre novidade e consistência técnica faz com que o grupo se destaque dentro de um cenário atual onde o resgate do rock clássico voltou a ganhar força. Nos últimos anos, bandas como Greta Van Fleet abriram caminho para esse tipo de comparação direta com o passado. Agora, a Jayler surge como mais um nome que entra nessa conversa, trazendo sua própria interpretação desse legado.
Com o EP *“A Piece in Our Time”, lançado em 2023, e o álbum de estreia *“Voices Unheard”* previsto para maio, a banda começa a estruturar uma discografia que pode definir melhor sua identidade nos próximos anos. *O desafio daqui para frente será transformar influência em assinatura própria, algo que começa a dar sinais, mas ainda pede desenvolvimento.
No Monsters of Rock 2026, a missão era clara. Aquecer o público, ocupar um espaço inicial e preparar o terreno para nomes maiores. A Jayler fez mais do que isso. Entregou um show sólido, energético e com personalidade suficiente para ser lembrado.
Em um festival marcado por gigantes, chamar atenção logo na abertura é um feito relevante. E a Jayler conseguiu.
