Com críticas ao Green Day, Trump cancela ida ao Super Bowl, final do campeonato nacional de futebol americano que acontece em 8 de fevereiro, evento considerado o mais assistido da televisão norte-americana. A decisão veio acompanhada de críticas diretas às atrações musicais do evento, entre elas Bad Bunny e a banda Green Day, que fará parte da programação musical como banda de abertura.

Em entrevista ao New York Post, Trump afirmou ser contrário à escolha dos artistas. “Sou contra ambos. Acho uma escolha terrível. Tudo o que isso faz é semear ódio”, declarou. O presidente também citou a localização do estádio, o Levi’s Stadium, em Santa Clara, Califórnia, afirmando que o local “fica muito longe”, como justificativa adicional para sua ausência.
Apesar das declarações presidenciais, o Green Day surge como um dos nomes mais simbólicos desta edição do Super Bowl. Conhecida por sua postura política explícita desde os anos 1990, a banda liderada por Billie Joe Armstrong nunca escondeu sua oposição a Trump. Recentemente, o vocalista voltou a criticar publicamente ações do ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândega), denunciando abusos cometidos contra imigrantes, especialmente no estado de Minnesota.
A presença do Green Day como banda de abertura reforça o tom político do evento, ainda que a NFL tradicionalmente tente manter uma imagem de neutralidade. A escolha do grupo representa não apenas um aceno à história do punk rock americano, mas também à liberdade de expressão e ao posicionamento crítico que sempre marcou a trajetória da banda.
Já Bad Bunny, responsável pelo show do intervalo, também se tornou alvo frequente de críticas de setores conservadores ligados ao movimento MAGA (Make America Great Again). Artista porto-riquenho e um dos nomes mais influentes da música global atualmente, Bad Bunny é um defensor ativo dos direitos dos imigrantes e da independência de Porto Rico, temas que aparecem de forma explícita em seus trabalhos recentes.
Influenciadores alinhados a Trump chegaram a convocar um boicote ao Super Bowl LX, classificando a escolha dos artistas como “provocação política”. Em contrapartida, lideranças internacionais reagiram às críticas, como o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, que saiu em defesa de Bad Bunny e alertou para o enfraquecimento da democracia diante de tentativas de censura cultural.
Mesmo em meio às polêmicas, o Super Bowl segue confirmado e promete ser um dos mais comentados dos últimos anos. Com Green Day abrindo a programação musical, o evento ganha um peso histórico e simbólico, unindo esporte, música e posicionamento político em uma noite que deve repercutir muito além do campo.

