Vocalista perdeu a paciência com fãs que acenderam sinalizadores durante apresentação no Equador. A fumaça prejudicou sua respiração, provocou interrupções e fez o cantor se afastar temporariamente do palco.

O Iron Maiden enfrentou uma situação inesperada durante sua apresentação em Quito, no Equador, na última quarta-feira (14 de outubro). O vocalista Bruce Dickinson demonstrou irritação com fãs que acenderam sinalizadores na plateia, provocando uma grande quantidade de fumaça que chegou ao palco e dificultou sua performance.
O episódio aconteceu no Estádio Olímpico Atahualpa, durante a passagem da turnê Run For Your Lives World Tour, que celebra os 50 anos de carreira do Iron Maiden.
Em vídeos compartilhados nas redes sociais, Bruce aparece pedindo repetidamente que os sinalizadores sejam apagados. Mesmo depois dos avisos, alguns espectadores continuaram utilizando os artefatos, fazendo o vocalista perder a paciência.
“Não consigo cantar, não consigo respirar”
Durante uma das reclamações, Bruce interrompeu a interação com o público para explicar que a fumaça estava comprometendo sua capacidade de cantar.
“Não consigo cantar se vocês acendem sinalizadores. Não consigo respirar.”
O músico também criticou a toxicidade da fumaça e lembrou que o Iron Maiden já utiliza seus próprios efeitos pirotécnicos durante o espetáculo, sem necessidade de sinalizadores acesos entre os espectadores.
O pedido, porém, não foi respeitado por todos.
Durante “The Trooper”, Bruce chegou a interromper parte dos vocais e se afastou da frente do palco. Em outro momento, já durante “Fear of the Dark”, o cantor voltou a demonstrar irritação e xingou um dos responsáveis pelos sinalizadores.
Apesar das interrupções, o show foi concluído.
🚨 Bruce Dickinson, vocalista de Iron Maiden, se molestó durante su reciente concierto en Ecuador por el encendido de bengalas entre el público. El cantante reclamó que el humo no le permitía respirar ni cantar. https://t.co/uKwb3O4Tx6
— Conciertos Perú (@conciertosperu) October 15, 2026
Bruce chegou a cantar dos bastidores
A situação ganhou ainda mais repercussão após uma publicação de Leana Dolci, esposa de Bruce Dickinson, nas redes sociais.
Leana compartilhou uma imagem do vocalista cantando em uma área lateral dos bastidores, longe da frente do palco, justamente para evitar a fumaça provocada pelos sinalizadores.
Na publicação, ela criticou a falta de respeito dos espectadores e lembrou que Bruce já enfrentou um câncer na região da garganta.
O vocalista passou por tratamento contra um tumor na base da língua, cujo diagnóstico foi divulgado publicamente em 2015. Após radioterapia e quimioterapia, recebeu a confirmação de que estava livre da doença naquele mesmo ano.
A reação de Leana reforçou a preocupação com os riscos da fumaça para alguém que depende diretamente da saúde respiratória e vocal para trabalhar.
Não é a primeira vez que Bruce enfrenta esse problema
A irritação do vocalista com sinalizadores não é novidade.
Em julho de 2022, durante uma apresentação do Iron Maiden em Atenas, na Grécia, Dickinson também perdeu a paciência depois que um fã acendeu um sinalizador enquanto a banda tocava “The Number of the Beast”.
Na ocasião, ele interrompeu os vocais, xingou o espectador e criticou a atitude diante de milhares de pessoas.
Dois anos depois, em entrevista à revista Rock Hard Greece, Bruce comentou o episódio e reconheceu que havia perdido o controle, mas manteve suas críticas ao comportamento.
Segundo o cantor, quem utiliza esses artefatos muitas vezes está mais interessado em chamar atenção para si do que em aproveitar o show, ignorando os possíveis prejuízos causados aos músicos e às pessoas ao redor.
Para Dickinson, o problema vai além do incômodo: a fumaça pode prejudicar pessoas com asma ou outras condições respiratórias, além de dificultar o trabalho de quem está no palco.
Sinalizadores também levantam questionamentos sobre a segurança
O episódio em Quito voltou a provocar discussões sobre a fiscalização na entrada de grandes apresentações.
Além da fumaça, sinalizadores pirotécnicos podem provocar queimaduras e incêndios quando utilizados em locais com grandes concentrações de pessoas.
Nas redes sociais, espectadores criticaram o fato de os artefatos terem conseguido entrar no estádio e continuarem sendo acesos mesmo depois dos pedidos do vocalista.
O caso também evidencia uma diferença importante entre os efeitos pirotécnicos profissionais utilizados durante um espetáculo e os sinalizadores levados pelo público: os primeiros fazem parte de uma produção planejada, enquanto os segundos podem expor pessoas próximas a riscos sem qualquer controle adequado.
Iron Maiden chega ao Brasil nos próximos dias
O incidente aconteceu poucos dias antes da chegada do Iron Maiden ao Brasil.
A banda segue pela América do Sul com a Run For Your Lives World Tour, que revisita músicas de seus nove primeiros álbuns e apresenta uma produção especial dedicada aos 50 anos de carreira.
No Brasil, estão previstas três apresentações, todas com abertura do Alter Bridge:
- 25 de outubro: São Paulo — Nubank Parque
- 27 de outubro: São Paulo — Nubank Parque
- 28 de outubro: Curitiba — Arena da Baixada
Os shows integram uma das últimas etapas da turnê antes da pausa nas atividades ao vivo que a banda anunciou para 2027.
Uma atitude que ultrapassa os limites da festa
Embora sinalizadores sejam associados por alguns fãs a momentos de celebração em grandes shows, o incidente no Equador mostrou como a prática pode comprometer a própria apresentação.
Bruce Dickinson deixou claro que não estava reclamando da empolgação do público, mas de uma atitude que prejudicava sua respiração e poderia afetar outras pessoas no estádio.
O Iron Maiden terminou o show, mas a imagem de seu vocalista precisando cantar dos bastidores para escapar da fumaça acabou se tornando um dos momentos mais comentados da passagem da banda pelo Equador.
E, diante do histórico de reclamações do próprio Bruce, o recado não poderia ser mais claro: a empolgação do público não pode colocar a saúde de outras pessoas em risco.
