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James Hetfield afirma que Turnstile recusou abrir shows do Metallica; posicionamentos políticos chamam atenção

Chris Wescley

Relato sobre o convite surge semanas depois de o vocalista criticar discursos políticos nos palcos. Enquanto Hetfield defende shows como uma forma de escapar dos problemas do mundo, o Turnstile vem utilizando sua visibilidade para denunciar injustiças e apoiar causas humanitárias.

James Hetfield e Turnstile representam abordagens diferentes sobre manifestações políticas nos palcos.

Uma possível colaboração entre duas gerações do rock pesado acabou não acontecendo. Segundo reportagem da Consequence, James Hetfield, vocalista e guitarrista do Metallica, afirmou que o Turnstile recusou um convite para abrir apresentações da banda.

A informação chama atenção pelo tamanho dos dois grupos. De um lado está o Metallica, um dos maiores nomes da história do heavy metal. Do outro, o Turnstile, banda de hardcore de Baltimore que se transformou em um dos maiores fenômenos recentes do rock, conquistando dois Grammys em 2026 com o álbum Never Enough.

Mas a história ganhou um contexto ainda mais interessante por causa das diferentes maneiras como os músicos enxergam a relação entre música e política.

Nas últimas semanas, Hetfield criticou artistas que utilizam seus shows para defender posicionamentos políticos, enquanto o Turnstile realizou uma apresentação gratuita para arrecadar recursos destinados à população da Palestina, do Sudão e do Líbano.

É importante destacar que não há confirmação de que a recusa do Turnstile tenha sido motivada por divergências políticas. Até o momento, esse vínculo é uma interpretação possível do contraste entre os posicionamentos, não um motivo comprovado para a decisão.

James Hetfield criticou discursos políticos durante show do Metallica

Em 10 de outubro, durante uma apresentação da residência Life Burns Faster, na Sphere, em Las Vegas, James Hetfield aproveitou uma pausa no show para falar sobre a maneira como acredita que os artistas devem se relacionar com seu público.

Depois de agradecer aos fãs pelas viagens, pelo tempo e pelo dinheiro investidos para assistir à apresentação, o vocalista afirmou:

“O Metallica não está aqui, como alguns outros artistas, para influenciar vocês com suas besteiras.”

Hetfield continuou dizendo que a proposta da banda é proporcionar ao público um momento para esquecer os problemas do mundo exterior.

Ele encerrou a declaração afirmando que a agenda do Metallica é amor, energia e música pesada.

O discurso repercutiu porque aconteceu em um momento de grande discussão sobre manifestações políticas durante apresentações musicais, especialmente após a retirada de Macklemore da turnê de Ed Sheeran, em consequência das pressões provocadas por seus discursos em defesa da Palestina.

O vocalista do Metallica, porém, não mencionou Macklemore, Turnstile ou qualquer outro artista pelo nome.

Hetfield já declarou que prefere manter suas opiniões políticas em particular

A declaração feita na Sphere não representa uma mudança recente na postura de James Hetfield.

Em 2017, durante entrevista ao jornal chileno La Tercera, o músico foi questionado sobre o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Hetfield preferiu não revelar sua opinião e explicou que acredita que posicionamentos políticos podem afastar pessoas que, de outra maneira, estariam conectadas pela música.

Na ocasião, afirmou que odiava política e que seu objetivo como músico era aproximar o público, não provocar divisões.

A postura também havia aparecido em uma entrevista à BBC, em 2016, quando o vocalista declarou que o Metallica procurava evitar discussões partidárias e religiosas porque considerava esses assuntos polarizadores.

Isso não significa, necessariamente, que Hetfield apoie a direita ou a esquerda norte-americana. O vocalista evita declarar publicamente suas preferências partidárias, o que impede classificá-lo politicamente apenas com base em sua rejeição aos discursos nos palcos.

Turnstile segue um caminho diferente

Enquanto James Hetfield defende manter os discursos políticos fora das apresentações do Metallica, o Turnstile vem adotando uma postura pública de engajamento social e político.

Em fevereiro de 2026, depois de conquistar dois prêmios Grammy, a banda publicou uma declaração sobre o cenário político internacional.

No comunicado, os integrantes criticaram aquilo que descreveram como o aumento da violência praticada pelo Estado e mencionaram pessoas sendo expulsas de suas casas nos Estados Unidos, na Palestina, no Sudão e no Irã.

Para o Turnstile, a música também funciona como um instrumento de expressão para comunidades e pessoas cujas vozes frequentemente não encontram espaço.

Essa visão foi reforçada durante uma entrevista à NME no BRIT Awards de 2026.

Na ocasião, a banda afirmou que os artistas podem funcionar como um espelho da realidade, refletindo o sofrimento, as transformações e os acontecimentos que afetam a sociedade.

O grupo também destacou a necessidade de empatia diante da desumanização que observa nos Estados Unidos.

Embora esses posicionamentos revelem uma orientação social bastante clara, a banda não precisa ser associada formalmente a um partido político para que suas manifestações tenham significado.

Turnstile reuniu 60 mil pessoas em show pela Palestina, Sudão e Líbano

A demonstração mais recente desse posicionamento aconteceu em 24 de outubro, quando o Turnstile realizou um show gratuito no National Mall, em Washington, D.C., nas proximidades do Monumento a Washington.

A apresentação foi organizada em parceria com a Human Concern International, com o objetivo de arrecadar recursos para ações humanitárias na Palestina, no Sudão e no Líbano.

Segundo estimativa do Serviço Nacional de Parques dos Estados Unidos, aproximadamente 60 mil pessoas compareceram ao evento.

A iniciativa arrecadou mais de US$ 220 mil até o dia seguinte à apresentação, superando a meta inicial dos organizadores.

Durante o show, o vocalista Brendan Yates agradeceu ao público pelo apoio e liderou manifestações em defesa da liberdade dos povos das três regiões.

A apresentação mostrou como o Turnstile pretende utilizar o alcance conquistado nos últimos anos: não apenas para levar o hardcore a públicos cada vez maiores, mas também para dar visibilidade a questões humanitárias.

O contraste com a declaração de Hetfield, feita apenas duas semanas antes, acabou ficando ainda mais evidente.

Metallica também tem uma longa história de críticas políticas em suas músicas

Existe, porém, uma questão importante nessa discussão: o Metallica nunca foi uma banda completamente distante de temas políticos e sociais.

Uma das demonstrações mais conhecidas está em …And Justice for All, álbum lançado em 1988 que aborda corrupção, desigualdade, manipulação do poder e falhas das instituições.

A faixa-título apresenta uma crítica direta à relação entre dinheiro, poder e justiça.

Outras músicas, como “One”, “Disposable Heroes” e “Eye of the Beholder”, exploram os horrores da guerra, a manipulação de indivíduos e questões ligadas à liberdade.

O Metallica também desenvolve ações sociais por meio da fundação All Within My Hands, responsável por iniciativas de combate à fome, apoio à educação profissional e assistência a comunidades afetadas por desastres.

Portanto, a diferença não está exatamente entre uma banda que se importa com questões sociais e outra que não se importa.

Ela aparece principalmente na maneira como esses assuntos são abordados.

Hetfield prefere que as mensagens estejam na música ou em iniciativas separadas dos shows. Já o Turnstile considera o palco uma extensão natural de sua relação com a sociedade.

A recusa foi motivada por política?

Essa é a pergunta que surge diante do relato sobre o convite recusado pelo Turnstile.

O momento torna a hipótese interessante: de um lado, James Hetfield criticando artistas que utilizam os shows para defender causas; do outro, uma banda que acabou de reunir dezenas de milhares de pessoas em um evento explicitamente dedicado à solidariedade internacional.

Mas existe uma diferença fundamental entre observar esse contraste e afirmar que ele provocou a recusa.

Não há elementos verificados que permitam concluir que o Turnstile rejeitou o convite do Metallica por questões políticas.

Uma decisão desse tipo pode envolver agenda, planejamento artístico, condições de contratação ou interesses profissionais. Sem uma justificativa pública dos envolvidos, qualquer explicação específica seria especulação.

Ainda assim, a história coloca em evidência duas visões diferentes sobre o papel de um músico diante dos acontecimentos do mundo.

Duas gerações e maneiras diferentes de enxergar o rock

O Metallica representa uma geração que transformou o heavy metal em um fenômeno mundial, atravessando décadas sem depender de posicionamentos partidários públicos.

O Turnstile vem de uma tradição diferente: o hardcore e o punk, movimentos historicamente associados a comunidades independentes, manifestações culturais e críticas sociais.

Nos últimos anos, a banda conseguiu levar essa identidade para espaços cada vez maiores, chegando ao Grammy e a grandes festivais sem abandonar suas origens.

O episódio envolvendo o convite do Metallica não prova que exista uma rivalidade entre as duas bandas.

Mas a aproximação entre a declaração de James Hetfield e as ações recentes do Turnstile levanta uma discussão antiga dentro do rock: o palco deve ser um lugar para esquecer os problemas do mundo ou também pode ser utilizado para enfrentá-los?

Para Hetfield, a prioridade declarada é fazer o público escapar da realidade por algumas horas.

Para o Turnstile, a música também pode ser uma ferramenta para transformar a realidade de quem está fora daquele palco.

E, independentemente do motivo da recusa, as duas posições mostram como o rock pesado continua reunindo artistas com ideias bastante diferentes sobre o mundo.

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#Metallica #Turnstile
Redação
Chris Wescley
Criador de conteúdo e um dos responsáveis pela Todo Dia um Rock, portal e comunidade dedicados ao rock, metal e entretenimento. Apaixonado por música, acompanha de perto lançamentos, shows, festivais e os principais acontecimentos da cena, transformando informação em conteúdo direto, acessível e feito para quem vive o rock todos os dias.
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